Maria Filó

Maria Filó, pobre que dava dó,
vivia numa casinha amarrada de cipó
lá no cafundó.

Vivia do tanque pra cozinha,
da cozinha pra bacia.
Bacia que banhava os cinco rebentos.
Haja água na bacia, Maria,
pra lavar todos os catarrentos!

O sol não dava trégua
castigando o lombo dos meninos
com seus raios solares.
Não é que os meninos tinham nomes populares!

Obaminha, Putin, Jimping, Hollandinho e Joachim.
Moleques travessos, reviraram o sitiozinho do avesso.
Gastavam a água da dona Filó e
botavam fogo nas árvores e cipós,
judiando da natureza, ai que dó!

A vaquinha tava magricela,
a galinha não mais tagarela
e o a dona Filó, na janela.

Desiludida e de prontidão,
pensando em como combater a poluição
que assolava aquele naco de sertão.
Filó teve uma ideia, opção.

Botou os moleques pra plantar árvores.
Obaminha plantou as mudas
na terra desnuda, na nascente agonizante.

Putin, Jimping e Joachim
combatiam as formigas cabeçudas
enquanto Hollandinho aguava a plantação
com o mísero de água
que brotava daquela mina d'água.

Houve resistência por parte dos meninos
que viam naquilo uma bobagem sem perdão.
Mas sem água, em suas peles já havia cascão
e Filó venceu aquela oposição,
reflorestando seu sertão.

As árvores cresceram
e a água jorrou por inteiro.
A vaquinha engordou
e a galinha tagarelou.

Maria Filó, feliz que dá dó,
ficou efusiva, radiante
vendo a pele dos meninos macia,

enquanto banhava-os na bacia.

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