Dois troncos de madeira, com idade avançada e carcomidos por isópteros e outros insetos, sustentavam uma tábua bem mais nova, que de tempos em tempos era trocada, mantendo, assim, o banquinho da conversa devidamente alinhado com o tempo, com um grande açude e com uma floresta intocável que abraçava tudo ao seu redor. O guarda-sol do banquinho era uma imensa árvore de tamarindo, de folhagem vistosa e exuberante. Duas perninhas ansiosas e desnudas gangorravam sobre o banquinho, enquanto as outras duas pernas, bem agasalhadas e quietas, esperavam pacientemente por gostosas perguntas. — Vovô, quando o senhor era criança, esse banquinho também era criança? — Sim, meu querido. Foi construído pelo meu pai, seu bisavô. Com o passar dos anos, só trocávamos a madeira onde estamos sentados agora. — Vovô, o senhor conversava com o seu papai igual conversa comigo agora? — Sim, meu anjinho! Na úl...
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