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Mostrando postagens de dezembro, 2015

Fazenda Santa Cruz

O sol ilumina a fazenda Santa Cruz dando boas-vindas às almas que a conduzem. No Engenho, o Barão do Rio Pardo, de semblante sério, mas educado, fiscaliza a produção da alimentação ali produzida. No vasto terreiro da casa secular, os empregados do Barão prestam atenção aos passarinhos cantores, que depositam, no ambiente, doces melodias. Com cacumbus nas mãos e com a pele enegrecida da labuta diária, eles, sempre calados, lavram e depositam na terra  o sustento de todos. Mariazinha, negra sábia e trabalhadora, de mãos calejadas , matreira, bate roupas na pedra da cacimba, enquanto seu marido cuida dos afazeres no curral. E a Sinhá, esposa do Barão, cuida, com bastante atenção, de um pé de manga que cresce exuberante ao lado da casa grande. Na hora do almoço, às 8 horas da manhã, reúne-se a família do Barão. Sentados a uma vasta mesa de madeira, degustam as delícias da roça e as palavras do patrão. Enquanto ele reza, elogia ...

Somos assim

Por um caminho da vida, encontrei um maltrapilho. De roupas surradas, de pele manchada, de olhar sofrido. Nossos olhos se cruzaram, se desviaram. Os meus, por soberba; os seus, por vergonha. Vergonha da própria existência; da própria aparência. Nos cruzamos. Eu, andar imponente, corpo ereto, olhar distante. Ele, andar cambaleante, quase rastejante. Seu eu não existia. Seus olhos nada diziam. Quando nos distanciamos, sobraram silêncio e pensamentos. Eu, mesclando pensamentos de piedade, repulsa e satisfação. Satisfação por ser normal, por ter uma condição social. Ele, misturando pensamentos de indignação, de amarguras, de solidão. Nesse caminho da vida, quilômetros adiante, o inverso ocorreu. O ser normal, de condição social, não era mais eu. E o maltrapilho, de andar rastejante, tornou-se infante. Novamente nossos caminhos se cruzaram. Meus sentimentos de outrora tornaram-se os  pesadelos de agora. E o maltrapilho, que experimentou o infer...