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Mostrando postagens de junho, 2017

Sons e sons

Noite quente, tempestade intensa. Flashes de um céu em breu retratavam meu corpo inerte sobre a cama, ouvindo claramente sons próximos de violão. Onze horas da noite. Meu corpo se levanta e levita, vibrando qual as cordas do violão que insistiam em produzir sons delirantes. Saio à rua suado e descalço. A mistura de águas sobre o corpo produzia evaporação de notas musicais que colidiam com os acordes naturais. E os sons, se propagando, entrelaçavam-se. O grave rugido do céu não intimidava o agudo de vários insetos voando em torno de lâmpadas acesas. Eles idolatravam a luz, morriam por elas. Um concerto gigantesco se formou na rua. Os sons de tevês, rádio, discussão familiar e buzinas de automóveis produziam sons irreconhecíveis. E o violeiro não parava de tocar. Sob uma marquise escura, deparei com aquela figura. Maltrapilho, enrolado em uma coberta surrada, produzindo acordes musicais, cadenciais e constantes, ignorando demais s...