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Mostrando postagens de janeiro, 2016

Caminho

Caminhando em terras firmes, a passos longos, descobri a verdade. Descobri a realidade e tropecei na imoralidade. Sentia no pé uma dor, dor ora gostosa, ora assustadora. Continuei caminhando e o pé sangrando. Deixava pelo caminho gotas de um vermelho que, às vezes, significava paz; às vezes, significava guerra. A dor aumentava, a angústia também. Vieram o delírio, o medo e a insegurança. Mas ao longo do caminho, a dor começou a desaparecer. Desapareceu também o vermelho significando a guerra. Meus pés já estavam firmes. A dor do medo e da insegurança não mais existia. Continuei a passos longos, confiante que, em cada curva, encontraria, na imoralidade, a liberdade e a alegria.

Fred, meu cão.

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Destruição das espécies

Por que procura sombra se o dia está apenas começando? Pode me responder, senhor? Tá bom! Se não quer, tudo bem. Então, encoste-se em mim, tire um cochilo, pois o dia, como disse, está apenas começando. O que tem na mochila? Daqui de cima, não vejo direito. Está com olhar de raiva, olhar suspeito... Lembro-me de que, quando aqui nasci, conduzida pelos ventos da primavera, a água era meu sustento; e o homem, meu alento. Muitos de vocês passaram por aqui. Alguns a sorrir, outros a meditar, a escrever, ou simplesmente a cochilar. Crianças em mim se escondiam, brincavam, choravam, sorriam. Quantas gerações aos meus pés cresceram, multiplicaram-se e morreram. Sabe, senhor, sou uma senhora idosa, que a cada dia renova o ar de sua respiração, a água de sua terra e a manutenção de sua espécie. Agora sei que carrega nas mãos minha destruição. Por décadas, ouvi esse barulho pelas redondezas, destruindo a natureza, sem razão, se...