Anciã
Mãos frenéticas, dedos hábeis e agulhas carcomidas pelo tempo. Sincronia perfeita trançando milhares de linhas em um ritmo ora apressado, ora lento, porém contínuo, de um crochê deveras infinito. Aquela senhora, anciã, de olhar sereno e cabelos brancos feito a neve, nunca descansa, apesar de ficar sentada em uma cadeira de balanço, que determina o equilíbrio de sua massa corporal no tempo e no espaço. É assim que ela dosimetria a linha de nossa vida, trançando-nos quão uma corrente, nos ligando para sempre. Suas mãos nunca foram submissas às linhas, até porque as linhas detinham uma vontade própria e um destino imprevisível. Sim, aquela senhora de pele envelhecida, nos conduz pelos labirintos do amor e do ódio, sintetizando todos os demais antônimos num emaranhado confuso, profuso, sereno. ...