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Mostrando postagens de 2015

Fazenda Santa Cruz

O sol ilumina a fazenda Santa Cruz dando boas-vindas às almas que a conduzem. No Engenho, o Barão do Rio Pardo, de semblante sério, mas educado, fiscaliza a produção da alimentação ali produzida. No vasto terreiro da casa secular, os empregados do Barão prestam atenção aos passarinhos cantores, que depositam, no ambiente, doces melodias. Com cacumbus nas mãos e com a pele enegrecida da labuta diária, eles, sempre calados, lavram e depositam na terra  o sustento de todos. Mariazinha, negra sábia e trabalhadora, de mãos calejadas , matreira, bate roupas na pedra da cacimba, enquanto seu marido cuida dos afazeres no curral. E a Sinhá, esposa do Barão, cuida, com bastante atenção, de um pé de manga que cresce exuberante ao lado da casa grande. Na hora do almoço, às 8 horas da manhã, reúne-se a família do Barão. Sentados a uma vasta mesa de madeira, degustam as delícias da roça e as palavras do patrão. Enquanto ele reza, elogia ...

Somos assim

Por um caminho da vida, encontrei um maltrapilho. De roupas surradas, de pele manchada, de olhar sofrido. Nossos olhos se cruzaram, se desviaram. Os meus, por soberba; os seus, por vergonha. Vergonha da própria existência; da própria aparência. Nos cruzamos. Eu, andar imponente, corpo ereto, olhar distante. Ele, andar cambaleante, quase rastejante. Seu eu não existia. Seus olhos nada diziam. Quando nos distanciamos, sobraram silêncio e pensamentos. Eu, mesclando pensamentos de piedade, repulsa e satisfação. Satisfação por ser normal, por ter uma condição social. Ele, misturando pensamentos de indignação, de amarguras, de solidão. Nesse caminho da vida, quilômetros adiante, o inverso ocorreu. O ser normal, de condição social, não era mais eu. E o maltrapilho, de andar rastejante, tornou-se infante. Novamente nossos caminhos se cruzaram. Meus sentimentos de outrora tornaram-se os  pesadelos de agora. E o maltrapilho, que experimentou o infer...

Somos Humanos

Quem somos? Somos seres, humanos, Romanos, Pilatos. Somos crias, de todas as raças, da raça ariana, cuja atitude leviana, sepultou milhares de esperanças. Somos almas de várias religiões. Verdugos da matéria, mortes com razão. Dogmas sem pecados, pecados com perdão. Somos egocentristas. Da indiferença, ativistas. Nos mares do individualismo fazemos naufragar imagens e semelhanças. Sim, somos humanos. Fechamos as portas do mundo, multiplicando cemitérios de sonhos.

Em um minuto

Em um minuto somos anjos e demônios proteção e abandono. Somos  ódio e amor compreensão e dor. Em um minuto somos a mão que afaga que cala e que silencia. Somos a soberba e a covardia. Em um minuto somos Deus ateus e puritanos. Somos monstros seres humanos. Desde o começo somos bem e mal. Antítese da vida meros mortais.

Meninez

Na minha meninez o sorriso era infante as brincadeiras,   saudáveis e o destino, errante. Na minha meninez bebia-se água de cacimba em folhas de inhame na ida e na vinda. Na minha meninez os córregos eram piscinas de águas cristalinas de profundidade excitante. Na minha meninez roubavam-se frutas do vizinho chupava-se cana pelo caminho   ouvindo sons de passarinhos. Na minha meninez pouca roupa se usava e o sol não escaldava   a pele morena e desnuda. Da minha meninez Sobraram ótimas lembranças. Dos prazeres de infância sobraram ainda   esperanças.

Anjos de Cáqui

Hoje, a vigília da sociedade se faz presente. Ontem, também. Desde sempre, com certeza!! Anjos despidos da ilegalidade e cobertos de dignidade. Asas? Que nada!! Colado sobre o asfalto, sobre a terra e sobre trilhas, o metal sobre rodas e de aura reluzente, firma-se onipresente na vida rica ou emergente, quiçá miserável ou carente. Anjos que operam o direito, o impossível, o imprevisível. Que infestam vidas, avenidas; da aurora ao crepúsculo; do fato típico ao absurdo. Lá estarão eles, descobertos aos olhos humanos, vigiando e guardando. Anjos de carne, seres humanos, seres divinos, de olhar menino e  atitude madura. Oh!! Criador dessas criaturas!! Protejam-nas do ódio e, sobretudo, do lado oculto e doentio da mente, que afetam anjos, que afetam gente. Com suas asas divinas, seja o escudo na incursão, na abordagem e no êxito da missão. Que seus anjos de cáqui protejam a vida. Na caminhada ao desconhecido, que sejam lúdicas suas ações ...