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Mostrando postagens de outubro, 2016

Infância na fazenda

Mamãe acorda cedinho. Ouço seus passos pela casa grande,  na maioria das vezes se concentrando na cozinha. De repente, sinto aquele gostoso aroma de café  feito num bule antigo, com pitadas de amor e carinho. Da cama, minhas narinas vão sorvendo aquele cheiro adocicado sempre com as atenções voltadas na conversa de mamãe com as sinhás  que, vez ou outra, dão puxadas no cachimbo, impregnando toda a casa com aquele cheiro forte de tabaco. Enrolado em uma capa, feito bicho-da-seda no casulo, esperando pacientemente a transformação em crisálida, escuto todos os...

Mariana

Oh!, Minas Gerais! Houve gritos, gemidos, sussurros, mas sirene de advertência não havia. Oh!, Minas Gerais! Vi a velocidade do barro amarelo como o escarro invadindo rios perenes. E a sirene? Oh!, Minas Gerais! Seres humanos e animais, numa sinergia enlouquecida, lutando de forma aguerrida contra os dejetos minerais. Mariana, Bento foi sepultado sob a lama do minério. Minério que, desde a época do império, a todos sobrepujou. Às margens do rio Doce, o retrato é desolador. O escarro amarelo do barro que absorveu o doce das águas  o fim de espécies, selou. E a sirene?...

Curtos poemas

Aquele cisco que caiu no olho da humanidade se transformou em tempestade de lágrimas salgadas. Lágrimas que rolavam pelos rostos ressecados. Coitados! Só lágrimas sobraram. O que apagou o ponto azul do quadro negro não foi o apagador, mas sim uma única língua afiada.

Maria Filó

Maria Filó, pobre que dava dó, vivia numa casinha amarrada de cipó lá no cafundó. Vivia do tanque pra cozinha, da cozinha pra bacia. Bacia que banhava os cinco rebentos. Haja água na bacia, Maria, pra lavar todos os catarrentos! O sol não dava trégua castigando o lombo dos meninos com seus raios solares. Não é que os meninos tinham nomes populares! Obaminha, Putin, Jimping, Hollandinho e Joachim. Moleques travessos, reviraram o sitiozinho do avesso. Gastavam a água da dona Filó e botavam fogo nas árvores e cipós, judiando da natureza, ai que dó! A vaquinha tava magricela, a galinha não mais tagarela e o a dona Filó, na janela. Desiludida e de prontidão, pensando em como combater a poluição que assolava aquele naco de sertão. Filó teve uma ideia, opção. Botou os moleques pra plantar árvores. Obaminha plantou as mudas na terra desnuda, na nascente agonizante. Putin, Jimping e Joachim combatiam as formigas cabeçudas ...