Fazenda Santa Cruz
O
sol ilumina a fazenda Santa Cruz
dando
boas-vindas às almas que a conduzem.
No
Engenho, o Barão do Rio Pardo,
de
semblante sério, mas educado,
fiscaliza
a produção da alimentação ali produzida.
No
vasto terreiro da casa secular,
os
empregados do Barão prestam atenção aos passarinhos cantores,
que
depositam, no ambiente, doces melodias.
Com
cacumbus nas mãos e com a pele enegrecida da labuta diária,
eles,
sempre calados, lavram e depositam na terra
o sustento de todos.
Mariazinha,
negra sábia e trabalhadora,
de
mãos calejadas , matreira,
bate
roupas na pedra da cacimba,
enquanto
seu marido cuida dos afazeres no curral.
E a
Sinhá, esposa do Barão,
cuida,
com bastante atenção,
de
um pé de manga que cresce exuberante
ao
lado da casa grande.
Na
hora do almoço, às 8 horas da manhã,
reúne-se
a família do Barão.
Sentados
a uma vasta mesa de madeira,
degustam
as delícias da roça e as palavras do patrão.
Enquanto
ele reza, elogia e degusta,
o
cão de estimação, negro como a noite,
ladra
ferozmente com as galinhas no terreiro.
Sentindo-se
interrompido com aquele ladrar repetitivo
grita
lá de dentro, “Cala a boca, sarnento!”
O
sarnento entende seu recado e cala-se de imediato,
enquanto
as galinhas somem no terreiro.
E,
assim, segue a vida na Santa Cruz.
O
sol começa a se esconder no horizonte
enquanto
os carros de bois, os cacumbus e o engenho
começam
a silenciar-se, cedendo espaços aos bichos da noite
que
contemplam o luar com suas diferentes melodias.
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