Poesias

Rede

O balançar da rede
chacoalha meu pensamento
arredio, sagaz e guardião.
Guardião de um corpo
prostrado sobre um amontoado
de tecidos trançados,
num vai e vem sem razão.

Medo de avião

No espaço vazio
o monstro chacoalha
o coração dispara.
Será que cai?
Se cair
minha alma sabe voar.

Mina d’água

O olho d’água brotou,
por um tempo se manteve
e depois secou.
Eu, persistente,
permaneci paciente.
Fiz de tudo um pouco
para o olho voltar a chorar.
Até árvores plantei por lá.
A água voltou,
as árvores cresceram
e suas folhas devoradas pelo formigueiro.
Minha paciência?

Se revoltou com as formigas.

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