Destruição das espécies
Por que procura sombra
se o dia está apenas
começando?
Pode me responder, senhor?
Tá bom! Se não quer, tudo
bem.
Então, encoste-se em mim,
tire um cochilo, pois o dia,
como disse,
está apenas começando.
O que tem na mochila?
Daqui de cima, não vejo direito.
Está com olhar de raiva,
olhar suspeito...
Lembro-me de que, quando
aqui nasci,
conduzida pelos ventos da
primavera,
a água era meu sustento;
e o homem, meu alento.
Muitos de vocês passaram por
aqui.
Alguns a sorrir, outros a
meditar,
a escrever, ou simplesmente a
cochilar.
Crianças em mim se
escondiam,
brincavam, choravam,
sorriam.
Quantas gerações aos meus pés
cresceram,
multiplicaram-se e morreram.
Sabe, senhor, sou uma
senhora idosa,
que a cada dia renova o ar
de sua respiração,
a água de sua terra e a
manutenção de sua espécie.
Agora sei que carrega nas
mãos minha destruição.
Por décadas, ouvi esse
barulho pelas redondezas,
destruindo a natureza, sem
razão, sem noção.
Sonhei apenas em ser
finalizada pelo vento,
após uma árdua batalha no
tempo;
entretanto, saudável e
romântica.
Iludia-me em acreditar que o
som estridente
de sua máquina cortante, jamais
se tornaria operante
frente a esta anciã, que
registrou o tempo e fez parte da história.
Sim, serei jogada ao chão
junto com sua espécie.
Seremos sepultados em uma
terra árida,
com direito apenas ao
velório do irmão sol.
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