Túnel do Mundo
Bem-vindos,
poderosos, mas mortais! Entrem! Fiquem à
vontade!
Este é o túnel do
mundo, o portal dos seus desejos,
das suas conquistas,
dos seus medos.
De um lado, vocês
veem uma mão que afaga,
que dá o que comer; que
protege e abriga.
Não se emocionem,
pois o que veem é um ato humano.
Do outro lado, a mão
que degola,
que decapita, que
assola, que extermina.
Não chorem, pois
também se trata de um ato humano.
Caminhem, Donos do
Mundo!!! Olhem para ambos os lados!!!
Olhem seus reflexos e
não fiquem perplexos!!!
Ajam com
naturalidade, pois seus atos são natos; são humanos.
Desse lado, crianças
estouram estalinhos, brincam e se divertem.
Não riam aliviados,
pois esses atos, inocentes de fato,
se transformam e se
transportam para o outro lado,
macabros, finórios,
destrutivos.
Olhem!!! Adultos
soltando bombas, destruindo casas, destruindo sonhos.
Olhem, pedaços de
crianças escondidos sobre escombros,
espalhados pela
sarjeta e misturados à terra imunda de um ódio fascista.
Não chorem, pois a
água que verte de seus olhos mata a sede de suas soberbas.
Caminhem, Donos do
Mundo!!! Olhem para ambos os lados!!!
Olhem seus reflexos e
não fiquem perplexos!!!
Ajam com naturalidade,
pois seus atos são natos; são humanos.
Olhem! Observem!
Deste lado, o ambiente pomposo,
pessoas coradas, bem
vestidas, farta comida e bebida.
Do outro, a miséria
não escondida, revelando a pouca comida tingida ao barro, ao escarro e que
finge matar a fome da vida, e também das lombrigas.
Não se sintam
chocados, pois é um ato admirável, porém vazio.
Caminhem, Donos do
Mundo!!! Olhem para ambos os lados!!!
Olhem seus reflexos e
não fiquem perplexos!!!
Ajam com
naturalidade, pois seus atos são natos, são humanos.
Por que passaram a
caminhar olhando só à frente?
Por que ignoram os
reflexos de seus atos?
Por que empinam a
face e seguem em frente?
Será porque o caminho
aos seus pés está vazio,
impossível de
refletir seus atos?
Não se equivoquem,
Homens Escolhidos!!!
À frente também há
vida, morte, conquistas, derrotas, sonhos,
medos, esperança e
ideais que, perante aos olhos
que guiam suas
existências e seus atos, são, simplesmente, invisíveis.
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