Vida
Fisicamente, todos os nutrientes
de uma vida moldaram uma outra vida,
um outro anjo, que repousou
confortadamente, por nove seguidos meses,
no ventre sisudo de sua matriz.
Oh! Sagrado seja esse cordão que
liga vidas!
Que transmite o amor e a certeza
de um futuro promissor.
O cordão se separa. Vem o
primeiro choro, o primeiro sorriso, o primeiro afago.
A dor foi suportável e será
sempre, mesmo que a pequena vida venha a se dissipar
antes mesmo de no colo se aconchegar. Por que
será?
Por que ela suporta a perda e acalma
a dor?
Nunca saberemos ao certo, pois
ninguém nunca nos dirá.
Só temos uma certeza: aquela vida
que se aconchegou no colo do útero,
descansará no colo do ventre. O
cordão, rompido em forma de ferida,
dará espaço a seios volumosos, na
continuação do ciclo da vida.
Oh! Sagrado sejam os seios da
vida!
Que transmitem o líquido da
existência,
do desenvolvimento promissor.
Vêm os primeiros passos, os
primeiros fracassos, as primeiras vitórias.
O som da palavra mamãe, formada
na boca daquele anjinho
e dita com tanto carinho, dará
espaço a outros vocábulos,
que machucarão, acalentarão,
destruirão e resignarão.
Esse é o ciclo da vida; o ciclo
da ferida, do amor, da compaixão e da dor.
E por que ela suportará?
Nunca saberemos ao certo, pois
ninguém nunca nos dirá.
Só temos uma certeza: na dor
eterna da separação, mesmo que seja
através de um ínfimo olhar, ela
dirá “meu filho, te amo!”
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